Cinco mentiras disfarçadas de ciência


Repassando a pedido do próprio autor.

O Sol nasce sempre no Leste

O correto é dizer que Sol nasce “do lado leste”. Mas não exatamente no ponto cardeal leste.

Isso se deve ao fato de que o eixo de rotação da Terra tem uma inclinação em relação ao plano orbital. A percorrer a trajetória elíptica ao redor do Sol, sem mudar esta inclinação, a região do planeta mais iluminada pelo Sol vai mudando para cada época do ano. E é por isso que temos as estações do ano que são alternadas em cada hemisfério da Terra.

Na prática o Sol faz um bamboleio ao redor do ponto cardeal leste. A rigor o Sol nasce exatamente a leste nos dois equinócios (21 de março e 23 de setembro). Em 21 de março o Sol está "caminhando" para o norte e estamos indo para o inverno. Em 22 de junho temos a noite mais longa do ano no hemisfério sul e o Sol encontra-se mais afastado do ponto cardeal leste, a noroeste. Em 23 de setembro o Sol "caminha" para o sul e estamos indo para o verão no nosso hemisfério. Em 22 de dezembro o Sol estará mas afastado do ponto cardeal leste, agora a sudeste e teremos a noite mais curta do ano. Para melhor visualizar a ideia, veja a simulação abaixo para a minha latitude de 23 graus sul. A linha vermelha marca o ponto cardeal leste.


O Cruzeiro do Sul sempre aponta para o Sul

A Constelação do Cruzeiro do Sul fica próxima ao pólo sul celeste, ponto imaginário onde o eixo (também imaginário) de rotação da Terra “toca a esfera celeste” (esfera também imaginária onde as estrelas e os planetas parecem estar grudados). E haja imaginação! A figura abaixo ajuda um pouco nesta arte de ver com o cérebro!
Logo, enquanto a Terra gira ao redor de si mesma, a uma taxa de 1 volta (360 graus) por dia (24h), vemos toda a Constelação do Cruzeiro do Sul (e todo o resto dos objetos no céu) girar ao redor do pólo sul celeste a uma taxa de 15 graus/h (360 graus/24 h). Para o Cruzeiro do Sul e qualquer outra constelação circumpolar o efeito é bem notável! Numa foto de longa exposição (como esta logo abaixo) registramos o movimento de rotação da esfera celeste ao redor do pólo sul celeste.
Por causa desta rotação a “cruz” pode aparecer “em pé”, “deitada” ou “inclinada”. Pode, enfim, estar em qualquer posição dependendo do dia do ano e da hora e, portanto, apontar para qualquer lugar, até mesmo para cima (ou para o espaço no referencial da Terra)! Quando está de "ponta-cabeça" normalmente está abaixo do horizonte. Veja nas simulações abaixo a posição do Cruzeiro do Sul para hoje às 18h, "deitado", e às 24h, "em pé".

Então , por que falam tanto que o Cruzeiro do Sul serve para nos mostrar o sul? Isso fica para um outro post, tá? Mas é mentira das boas que o Cruzeiro do Sul sempre aponta para o sul! Na simulação acima, para às 18 h, fica bem claro que o Cruzeiro não está apontando para o sul (S)!


A Lua Cheia nasce enorme no horizonte

Quando vemos a Lua Cheia no horizonte sempre ficamos com a sensação de que ela é enorme. Assim aparece nos filmes. Da mesma forma nos desenhos. Mas trata-se apenas de uma ilusão de óptica!
A Lua Cheia, no horizonte, numa comparação visual simples com casas, edifícios, montanhas e outros elementos da paisagem, parece ser realmente enorme. Mas não é.
Daqui da Terra vemos o disco lunar com apenas 0,5 grau aproximadamente. Muito pouco comparado a um círculo completo que tem 360 graus!
Quer fazer uma experiência simples, porém bastante conclusiva? Estique o braço, com o dedo indicador para cima. A largura do dedo indicador, para seus olhos, será em torno de 1 grau. Claro que isso pode variar de pessoa para pessoa mas, em média, dá bem próximo de 1 grau.
Assim, o dedo indicador na posição descrita deverá cobrir o equivalente a duas Luas Cheias! Espere a próxima Lua Cheia e faça você mesmo o teste. E verá como Lua Cheia aparentemente enorme some atrás do seu dedo indicador. Lua Cheia enorme no horizonte é outra mentira!


No espaço a gravidade é zero


Na ISS, a Estação Espacial Internacional, por exemplo, os astronautas ficam “flutuando”. Toda vez que vemos cenas dos astronautas eles parecem ser tão leves quanto plumas. Logo a conclusão (erradíssima!) é de que a gravidade no espaço é zero.
Mas pense comigo: quem é que prende a ISS na Terra? É a gravidade terrestre, não é? Então por que esta gravidade mantém a ISS presa na sua órbita ao redor do planeta mas deixa de atrair os astronautas? Seria a gravidade seletiva? Ela só atrai “quem ela quer”?

Segundo a Lei da Gravitação Universal de Isaac Newton, a gravidade decresce com o inverso do quadrado da distância ao centro do corpo que a provoca. Logo, será de fato nula somente a distâncias infinitas do corpo central. A ISS está a apenas uns 400 km afastada da superfície da Terra e, portanto, um pouco menos do que 7.000 km do centro da Terra. Muito pouco para a gravidade ser nula. Na verdade a gravidade terrestre lá na ISS vale mais ou menos uns 8,5 m/s². Bem diferente de zero e só um pouco menor do que o valor aqui na superfície que é de 9,8 m/s².!

Então por que os astronautas flutuam? Lamento dizer mas, na verdade, não flutuam. Eles estão em órbita o redor da Terra o que na prática é como estar em um elevador cujo cabo arrebentou e está caindo em queda livre. Como a nave e todo o seu conteúdo "caem" com a mesma aceleração, existe uma sensação de flutuação. Mas é só uma sensação de gravidade zero, uma ilusão mecânica capaz de enganar até mesmo os nossos sentidos. Por isso dizer que a gravidade no espaço é zero é outra mentira que assassina a boa Física!


O atrito sempre atrapalha

E é por isso mesmo que o atrito deve ser eliminado ou pelo menos minimizado. Certo?

Errado! Outra bobagem. É fato que muitas vezes o atrito dificulta as coisas. Todos sabemos que temos que colocar óleo lubrificante no motor de um automóvel para diminuir o atrito entre as suas partes internas móveis e evitar superaquecimento, o que poderia até fundir o motor (derreter e grudar as suas partes internas). Neste exemplo o atrito é mesmo prejudicial.

Quando vamos fazer faxina e temos que arrastar móveis pela casa sabemos que o atrito não é parceiro. Ele joga contra e dificulta as coisas. Aqui também temos um outro exemplo de atrito que atrapalha.

No entanto, quando andamos, empurramos o chão para trás por atrito com a superfície de contato com a sola do sapato. E o chão, por sua vez, nos empurra para frente, novamente por atrito. É o que chamamos de Ação/Reação, outra herança das fantásticas ideias de Sir Isaac Newton.

Um automóvel também precisa empurrar o chão para trás para ser empurrado de volta para frente e conseguir se mover. Com pouco atrito entre o pneu e o solo o carro pode simplesmente patinar e não sai do lugar. É exatamente o que acontece quando um carro atola na lama.

Entendeu como nesses dois casos (uma pessoa ou um automóvel andando) o atrito ajuda o movimento? Logo, dizer que o atrito sempre atrapalha é outra mentira descarada!


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